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Cine Lara: memórias de um ícone cultural em Taguatinga

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Sala após reforma no Cine Lara (foto: Reprodução/Correio Braziliense) - Foto: Getulio Romao
Sala após reforma no Cine Lara (foto: Reprodução/Correio Braziliense) - Foto: Getulio Romao

No coração de Taguatinga, no Distrito Federal, o Cine Lara se consagrou como um ícone cultural que marcou gerações de moradores. Inaugurado em 1978 e fechado definitivamente em 1998, o cinema de rua oferecia lazer acessível com sessões de filmes nacionais e estrangeiros, atraindo famílias e jovens para momentos inesquecíveis. Moradores como Donizete José Batista e Elisângela Oliveira ainda recordam com carinho o espaço que, por duas décadas, foi sinônimo de cultura e entretenimento na região da C12, ao lado do Cine Paranoá.

A trajetória do Cine Lara

O cinema funcionava no térreo de um prédio com capacidade para 600 a 640 lugares, exibindo produções que iam além da televisão aberta. Reinaugurado em agosto de 1995 com um investimento de R$ 70 mil, o local ganhou ar-condicionado e som Dolby Stereo, resgatando memórias e preenchendo um vácuo cultural na cidade. No entanto, após um período exibindo filmes pornográficos e até servindo como igreja, o Cine Lara encerrou suas atividades, substituído pelas salas modernas em shopping centers.

Moradores destacam o impacto social do cinema. Antônio Balbino, por exemplo, lembra que foi ali seu primeiro contato com o cinema comercial, incentivando-o a questionar e refletir sobre as obras exibidas.

Memórias e depoimentos

As histórias pessoais revelam o encanto do local. Valéria de Sousa recorda como sua mãe a vestia com roupas de festa para as matinês, enquanto Fernando Raulino menciona as garotas vigiadas pelos pais e os lanterninhas que interrompiam momentos mais quentes com suas lanternas. Jailton Santarém Brito conta que recebia no fim das sessões e saía para a farra, ilustrando o papel do cinema como ponto de encontro juvenil.

Era a chance de ver filmes além da televisão. Isso, para a cidade, tinha um valor enorme. — Antônio Balbino

Eliana Moraes descreve a sensação tão boa que ninguém queria ir embora, e Maria Pinheiro, ao lado de outros, celebra o acesso à cultura em uma época em que cinemas fora da cidade eram caros e difíceis. O Grupo Alvorada e a Administração Regional de Taguatinga também reconhecem o legado do Cine Lara, que proporcionou lazer acessível e fomentou a identidade cultural local.

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