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Slogan de melhor segurança do país não resiste ao Entorno de Brasília

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Posição de Goiás no Ranking de Competitividade dos Estados 2026: 10º no pilar de Segurança Pública, 13º em feminicídio, 17º em violência sexual, 19º em mortes a esclarecer e 23º em qualidade do registro criminal. Fonte: Centro de Liderança Pública com a Tendências Consultoria.
Posição de Goiás no Ranking de Competitividade dos Estados 2026: 10º no pilar de Segurança Pública, 13º em feminicídio, 17º em violência sexual, 19º em mortes a esclarecer e 23º em qualidade do registro criminal. Fonte: Centro de Liderança Pública com a Tendências Consultoria.

O slogan segundo o qual Goiás detém a melhor segurança pública do Brasil não resiste ao exame das cidades que fazem divisa com o Distrito Federal. No Entorno, os municípios goianos registram taxas de homicídios entre 21,1 e 27,1 por 100 mil habitantes, enquanto o DF apresenta 10,3, conforme o Atlas da Violência 2026 elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com dados de 2024. Essa diferença, que chega a dobrar ou triplicar os números da outra margem da divisa, revela que a média estadual mascara realidades distintas e que o superlativo empregado na campanha eleitoral não descreve a experiência cotidiana dos moradores da região.

Daniel Vilela, governador desde 31 de março de 2026 e candidato à reeleição, repetiu o argumento em 7 de setembro de 2026, ao afirmar que Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. O mesmo discurso foi utilizado em maio de 2026, quando anunciou pacote de valorização das forças de segurança e o qualificou como trabalho feito pela melhor segurança pública do Brasil. Os dados, contudo, mostram que a letalidade caiu em várias partes do estado, mas não de forma uniforme.

Contraste na divisa com o Distrito Federal

O Atlas da Violência 2026 coloca Luziânia no topo da lista goiana, com 27,1 homicídios por 100 mil habitantes, seguido por Novo Gama (24,1), Planaltina de Goiás (22,3) e Valparaíso de Goiás (21,1). Essas quatro cidades, todas coladas ao DF, apresentam números cerca de duas vezes superiores à taxa de Goiânia e mais que o dobro da registrada no próprio Distrito Federal. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, indica que Goiás como um todo registrou 16,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, valor superior ao de Santa Catarina (7,6) e São Paulo (7,8).

O crescimento populacional acelerado do Entorno, combinado à expansão de moradia sem a correspondente oferta de serviços públicos, cria condições que o governo estadual é obrigado a enfrentar, pois a segurança nessas cidades é de responsabilidade do estado de Goiás. O morador que trabalha em Brasília e dorme em Luziânia ou Valparaíso convive diariamente com a discrepância entre os dois lados da linha divisória, sem que a queda estadual de homicídios altere sua percepção local.

Posição nos rankings e qualidade da informação

No Ranking de Competitividade dos Estados 2026, organizado pelo CLP e pela Tendências Consultoria, Goiás ocupa o 10º lugar no pilar de Segurança Pública, com nota 43,4. A jornalista Fabiana Pulcineli, no podcast Papo Político nº 1032 da CBN Goiânia, destacou que o estado já havia piorado para 17º em 2024 e que os indicadores de qualidade dos registros são ainda mais baixos.

Goiás está muito mal nesse item que trata dos registros estatísticos, que é responsabilidade do Estado. Aparece em 23º.

Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia

Os mesmos dados mostram Goiás em 19º lugar em mortes a esclarecer, 17º em violência sexual e 13º em feminicídio. O 23º lugar em qualidade da informação criminal reduz a auditabilidade dos números divulgados pelo próprio governo, sem que isso implique manipulação, mas apenas menor transparência nos processos de registro.

Demanda por metas verificáveis no Entorno

Reconhecer que a letalidade diminuiu em média no estado não equivale a aceitar que o Entorno receba o mesmo tratamento que regiões de menor densidade. Um plano específico para essas cidades exige metas numéricas, prazos definidos e publicação periódica dos resultados, além da melhoria da qualidade dos registros criminais. Sem esses elementos, o discurso de continuidade da política de segurança não pode ser avaliado pelo eleitor que vive na divisa.

A cobrança por resultados concretos recai sobre o governo estadual, independentemente de quem o ocupe, porque a responsabilidade pela segurança pública nas cidades goianas do Entorno é intransferível. O contraste entre os 10,3 homicídios por 100 mil habitantes do DF e as taxas superiores a 21 no lado goiano permanece o dado mais direto para medir se o slogan se sustenta ou se precisa ser substituído por compromissos localizados e auditáveis.

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