A Avenida Comercial Norte, em Taguatinga, no Distrito Federal, registra fechamento em massa de lojas, com placas de “aluga-se” marcando a paisagem e queda nos preços de imóveis. Comerciantes apontam carga tributária elevada, migração de consumidores para shoppings e comércio eletrônico como principais motivos do esvaziamento. O cenário também inclui insegurança e ocupação de calçadas por pessoas em situação de rua, que afastam clientes e reduzem o movimento diário.
Causas do esvaziamento comercial
Corretores imobiliários relatam que o tempo médio para locação na região gira em torno de oito meses. A oferta elevada de imóveis vazios dá maior poder de barganha aos interessados, conforme a lei da oferta e da procura. Empresários migraram para shoppings como Taguatinga Shopping e Brasília Trade Center ou para bairros vizinhos como Águas Claras e Samambaia, onde a estrutura é considerada mais atrativa.
Há muitos imóveis desocupados, especialmente em função dos frequentes aumentos de impostos e da mudança de mentalidade das pessoas, que hoje preferem consumir e buscar serviços em locais com maior concentração de lojas, como os shopping centers
Hélio Eustáquio da Silva
Impactos na rotina e na segurança
Trabalhadores da região relatam redução acentuada no fluxo de clientes, inclusive em meses tradicionalmente fortes como janeiro e dezembro. A insegurança é citada como fator adicional que leva comerciantes a fecharem as portas mais cedo, enquanto a presença de pessoas em situação de rua nas calçadas aumenta a sensação de abandono. Frequentadores evitam circular à noite por medo de assaltos e falta de policiamento ostensivo.
O movimento caiu bastante, já não é mais como antes, quando passava muita gente na rua. Sentimos um baque grande até em janeiro e dezembro, que costumam ser meses fortes para as vendas. E, além de vender menos, a gente ainda sofre com a insegurança. Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa muito
Alisson David
A Administração Regional de Taguatinga reconhece a migração para o comércio eletrônico e a necessidade de revitalização para recuperar o dinamismo econômico local. Comerciantes pedem medidas urgentes que equilibrem a tributação e melhorem a vigilância nas vias principais.