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O dia em que JK fechou as portas do passado e inaugurou a era de Brasília

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Na manhã de 20 de abril de 1960, Juscelino Kubitschek, acompanhado de sua família, realizou um gesto simbólico ao fechar os pesados portões de ferro do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, marcando o fim de uma era e o início de outra. Esse ato, descrito por JK em suas memórias com profunda emoção, representava não apenas o encerramento de uma sede de governo, mas a virada de uma página na história brasileira, direcionando o país para a interiorização, a posse integral do território e o verdadeiro desenvolvimento nacional. Partindo para Brasília, a comitiva presidencial se instalou no Catetinho, aguardando as festividades que começariam às 17h. Na Praça dos Três Poderes, JK recebeu a chave simbólica da cidade de Israel Pinheiro e dirigiu-se à multidão de candangos, proclamando com orgulho sua pertença a essa família de construtores, sustentados pela fé em Deus e no Brasil. Essa cena inspiradora capturava o espírito de uma nação em transformação, onde o esforço coletivo erguia uma capital que prometia um futuro de integração e progresso.

Às 19h, JK seguiu para o aeroporto para receber o cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, enviado pelo Vaticano, que celebrou a missa inaugural à meia-noite em frente ao Supremo Tribunal Federal. Com sinos badalando por todo o Brasil, incluindo o histórico sino de Tiradentes vindo de Ouro Preto, e luzes formando a cruz do plano de Lúcio Costa, a cerimônia incorporou relíquias como a cruz de madeira da Primeira Missa no Brasil e o crucifixo de Frei Henrique de Coimbra. Uma mensagem do Papa João XXIII ecoou na praça, abençoando a nova capital. JK emergiu como “O Fundador”, consolidando Brasília não apenas como uma cidade, mas como o símbolo de uma nova civilização. Essa sequência de solenidades, que se estendeu aos dias 21 e 22 de abril, culminou em desfiles militares, reuniões ministeriais e festas populares, incluindo a criação da Universidade de Brasília como primeiro ato oficial no Palácio do Planalto.

Essa inauguração coroava uma série de “simbologias inaugurais” iniciadas em 1956, quando JK sobrevoou o Sítio Castanho e indicou locais para o Palácio da Alvorada e o Brasília Palace Hotel. Ao longo dos anos, eventos como a vitória na Copa do Mundo de 1958 ouvida de Brasília, visitas de líderes mundiais como Foster Dulles e André Malraux — que a chamou de “capital da esperança” —, e a Caravana da Integração Nacional em 1960, reforçaram o mito de Brasília como catalisadora de um Brasil unido e moderno. Como observou um carpinteiro da época, era uma era de ilusão e esperança, inspirando gerações a acreditar no potencial transformador da nação.

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