segunda-feira , 23 março 2026
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A coragem que ecoa: o legado de Mário Eugênio na resistência à ditadura

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Em meio aos sombrios anos da ditadura militar brasileira, o jornalista Mário Eugênio Rafael de Oliveira, com seu bordão “Aqui só se fala a verdade, somente a verdade. Doa a quem doer”, emergiu como um farol de integridade. Aos 31 anos, o repórter mineiro de Comercinho denunciou um grupo de extermínio formado por policiais civis e militares do Exército, responsáveis pela morte de um dono de chácara em Luziânia, no Entorno do DF. Sua ousadia custou-lhe a vida em 11 de novembro de 1984, quando foi assassinado no estacionamento da Rádio Planalto, na Asa Sul, com uma facada na nuca e tiros de espingarda calibre 12 e revólver magnum calibre 38. Apresentador do programa “O gogó das sete” e editor policial do Correio Braziliense, Mário representava a essência do jornalismo destemido, inspirando gerações a confrontar o poder opressor e defender a transparência como pilar da sociedade.

O inquérito revelou sete suspeitos, incluindo mandantes como o então secretário de Segurança Pública do DF, coronel Lauro Melchiades Rieth, e o delegado Ary Sardella, que enfrentaram condenações mínimas e responderam em liberdade graças a habeas corpus. Rieth, criticado abertamente por Mário, desafiou o jornalista a publicar sobre o “esquadrão da morte”, confirmando a participação de militares. Hoje, a filha de Rieth recebe uma pensão militar de R$ 35 mil mensais, enquanto Sardella, aos 88 anos, aufere mais de R$ 30 mil em remuneração, além de uma carreira posterior como instrutor de tiro e mestre em jiu-jitsu. Outros envolvidos, como Divino José de Matos (Divino 45), que executou os disparos e recebe R$ 4,7 mil de aposentadoria, e militares como Antônio Nazareno Mortari Vieira, cuja esposa ganha R$ 2.837,87 em pensão, ilustram a persistente impunidade. No entanto, esses fatos não eclipsam o legado de Mário: sua morte, uma entre as 25 de jornalistas na ditadura, reforça a inspiração para que profissionais da imprensa continuem a luta pela justiça, transformando tragédias em sementes de uma democracia mais resiliente.

Recordar Mário Eugênio é um chamado inspirador à ação cívica, lembrando que a verdade, mesmo dolorosa, é a força que desmantela tiranias. Seu sacrifício destaca a importância de vigiar os guardiões do poder, incentivando a sociedade a honrar heróis como ele, cujas vozes ecoam eternamente na busca por um Brasil mais justo e transparente.

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