A Câmara Legislativa do Distrito Federal entregou moções de louvor ao Programa Bombeiro Amigo em uma solenidade realizada na última quinta-feira, mas o gesto expõe a dependência de iniciativas pontuais para lidar com vulnerabilidades sociais que persistem no Distrito Federal.
Reconhecimento em meio a carências estruturais
O evento, proposto pelo deputado Roosevelt Vilela, contou com a presença de militares do Corpo de Bombeiros e beneficiários. Embora as autoridades tenham destacado o papel do programa em visitas domiciliares e acolhimento a idosos, a homenagem não altera o fato de que bombeiros precisam assumir funções de assistência social diante de lacunas deixadas pelo poder público.
O Bombeiro Amigo é muito mais que um programa de segurança. É um gesto de humanidade. São bombeiros que vão às casas, conversam, observam e, muitas vezes, salvam vidas antes mesmo de uma emergência
deputado Roosevelt Vilela
Impacto limitado e críticas veladas
Durante a cerimônia, o coronel Anderson Lucas ressaltou que o programa se tornou referência nacional. No entanto, observadores apontam que ações como essa mascaram a ausência de políticas públicas mais robustas para fortalecer vínculos comunitários e prevenir problemas entre a população idosa.
Esse programa nasceu da vocação humanitária dos nossos militares. Hoje, ele é referência nacional e transforma a realidade de milhares de famílias
coronel Anderson Lucas
No final, a entrega de louvores reforça um modelo assistencialista que, embora útil, não substitui investimentos estruturais necessários para reduzir as vulnerabilidades que o programa tenta mitigar.