quarta-feira , 4 fevereiro 2026
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Presidente da Câmara sai em defesa de servidora investigada por suposto esquema no orçamento secreto

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu publicamente a servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, após mandados de busca e apreensão realizados pela Polícia Federal na última sexta-feira (12). Fialek, que atuou como assessora do ex-presidente da Casa, Arthur Lira, é investigada por seu papel na gestão de emendas parlamentares do chamado “orçamento secreto”, mecanismo que destinava verbas públicas sem identificação clara dos autores ou beneficiários. Em nota divulgada na noite de ontem, Motta destacou a competência e o compromisso de Fialek com a boa gestão pública, enfatizando sua contribuição para o aprimoramento de sistemas de rastreabilidade de proposições e execução de emendas. Ele argumentou que a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as buscas, não menciona atos de desvio de verbas, embora ressalte a necessidade de apurar eventuais irregularidades. Motta diferenciou a indicação de emendas, que não seriam impositivas, da execução final dos recursos, defendendo um acompanhamento rigoroso pelos órgãos de controle.

A investigação teve como base depoimentos de seis parlamentares e uma servidora da Câmara, incluindo Glauber Braga (Psol-RJ), José Rocha (União-BA), Adriana Ventura (Novo-SP), Fernando Marangoni (União-SP), Dr. Francisco (PT-PI) e o senador Cleitinho (Republicanos-MG). Os relatos apontam que Fialek enviava ofícios da Presidência da Câmara para comissões, ordenando a liberação de emendas, especialmente direcionadas a Alagoas, estado de Arthur Lira. A PF identificou indícios de crimes após quebrar o sigilo telemático da servidora, que atualmente ocupa um cargo no gabinete da presidência do PP na Câmara, e constatou a ausência de mensagens salvas em aparelhos ou nuvens de dados. O ministro Dino autorizou as buscas ao considerar a possibilidade de Fialek ter evitado backups de dados sensíveis, mantendo-os em meios físicos, e destacou uma “atuação contínua, sistemática e estruturada” no esquema, com suspeitas de redirecionamento forçado de recursos por Lira.

Em relatório parcial, a PF revelou que Fialek ocupou cargos estratégicos em empresas públicas e no Legislativo desde 2020, sempre por indicação de Lira, facilitando a manipulação de emendas. Os investigadores encontraram uma anotação à mão que coincidia com o redirecionamento de recursos entre municípios, criticando o “incomum desapego à formalidade” no orçamento da União. Eles compararam a organização do esquema a uma “conta de padaria”, ilustrando a simplicidade rudimentar na alocação de verbas públicas. Motta, em sua defesa, ponderou que indicações de emendas não equivalem a desvios, mas reforçou a importância de fiscalizar a execução por destinatários finais, incluindo recursos do Poder Executivo.

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