Em uma decisão que reacende a esperança por justiça ambiental global, o Tribunal Superior de Justiça de Londres condenou a mineradora inglesa BHP nesta sexta-feira (14) pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais. Como acionista da Samarco, responsável pelo desastre, a empresa foi responsabilizada por negligenciar riscos previsíveis, como rejeitos saturados, infiltrações e fissuras. A corte destacou que uma análise adequada de estabilidade teria identificado os perigos, tornando inconcebível a continuação da elevação da barragem sem medidas preventivas. Essa sentença não apenas reconhece a tragédia que completou dez anos no último dia 5 de outubro, despejando toneladas de rejeitos que contaminaram rios, atingiram municípios próximos e ceifaram 19 vidas, mas também inspira comunidades afetadas a persistirem na luta por um futuro mais seguro e sustentável.
A BHP, em nota, anunciou que recorrerá da decisão, mas reafirmou seu compromisso com a reparação no Brasil, destacando o pagamento de cerca de R$ 70 bilhões aos moradores da Bacia do Rio Doce e entidades públicas. Mais de 610 mil pessoas já receberam indenizações, incluindo 240 mil autores da ação no Reino Unido que assinaram quitações integrais. A corte confirmou a validade desses acordos, o que deve reduzir o escopo da ação em curso. Essa postura, aliada à crença da empresa de que as medidas brasileiras são o caminho mais efetivo para reparar danos a pessoas e ao meio ambiente, sinaliza um horizonte de reconciliação e progresso. Com uma nova audiência prevista para o primeiro semestre de 2027 para estipular a multa, e indenizações individualizadas em 2028, o caso motiva uma reflexão coletiva sobre responsabilidade corporativa, incentivando ações que transformem tragédias em lições de resiliência e equidade.