O cinema nacional ganha novo fôlego com “O Agente Secreto”, o mais recente longa de Kleber Mendonça Filho, que estreia nesta quinta-feira (6) em mais de 700 salas brasileiras, simultaneamente com Alemanha e Portugal. Ambientado em 1977, período de tensão sob a ditadura militar, o filme mergulha na alma de um país em ebulição, retratando a “birra” coletiva contra o autoritarismo através de elementos sensoriais como o ronco de fuscas, o ruído de orelhões e uma trilha sonora que eleva a música brasileira a protagonista. Mendonça Filho, em entrevista exclusiva, destaca a escolha de faixas como “Paêbirú” de Zé Ramalho e Lula Côrtes, obras-primas da psicodelia que “respiram” no filme, simbolizando a liberdade criativa conquistada após anos de limitações orçamentárias. Com prêmios em Cannes, incluindo Melhor Direção e Melhor Ator para Wagner Moura, o filme representa o Brasil no Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional, inspirando uma nova geração a confrontar o passado e celebrar a identidade cultural.
Wagner Moura brilha como Marcelo, um professor fugindo de um passado violento no Recife, ecoando temas de moral, verdade e poder que ressoam em tempos de polarização política. O ator, cotado para o Oscar de Melhor Ator, conecta o roteiro à sua peça teatral “Um julgamento: Depois do Inimigo do povo”, inspirada em Ibsen. Tânia Maria comove como Dona Sebastiana, humanizando o acolhimento a refugiados e ganhando menções em publicações como Variety e The Hollywood Reporter como possível indicada a Melhor Atriz Coadjuvante. Alice Carvalho enfatiza a diversidade, com sotaques e histórias reais que revelam o Brasil autêntico. Mendonça Filho, reconhecido por ícones como Spike Lee, planeja lançar um vinil duplo da trilha e um livro com o roteiro, ampliando o alcance para mais de 90 países, incluindo China e Índia. Essa visibilidade global não só eleva o cinema brasileiro, mas inspira a nação a abraçar sua narrativa de superação e resistência, transformando arte em ferramenta de empoderamento político.