Três técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, foram presos por suspeita de administrar doses excessivas de potássio a pacientes, causando hipercalemia e pelo menos três mortes. As vítimas incluem João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. As prisões foram divulgadas na última semana, revelando falhas em protocolos hospitalares que permitiram o acesso indevido à medicação.
Detalhes das mortes e do esquema
As mortes ocorreram em novembro de 2025, com João Clemente Pereira ingressando no hospital no dia 4 e sofrendo paradas cardíacas no dia 17, culminando em óbito na madrugada do dia 18. O prontuário da vítima mostrou níveis de potássio três vezes acima do aceitável, resultado de administração fraudulenta que fraudou o sistema hospitalar. Os técnicos, agindo isoladamente, provocaram distúrbios cardíacos fatais por meio de hipercalemia, explorando brechas na dupla checagem de protocolos.
A motivação apontada envolve atos criminosos possivelmente ligados a comportamento psicopático, sem conexão com a instituição. O Hospital Anchieta identificou as irregularidades via protocolos internos e enfatizou que se tratou de conduta individual à margem da ética e da lei.
Reações das famílias e especialistas
A filha de João Clemente, Valéria Leal Pereira, expressou indignação com a falha na segurança hospitalar. Ela destacou os planos interrompidos do pai, que sonhava em viajar mais com a família após a aposentadoria. Advogados da família, Elias Manoel Pereira Dias e João Francisco Alves Neto, acompanham o caso.
Um hospital deveria zelar pela segurança do paciente. A gente entregou o nosso pai ali para o hospital cuidar e a gente esperava que ele fosse zelar pela saúde dele, não que fosse acontecer uma coisa dessa, um crime desse.
Ele sempre falou que quando aposentasse queria viajar mais com a família. Esse era um plano que foi interrompido por conta de um psicopata.
O médico Miguel Antônio Moretti alertou sobre os riscos do potássio, associado a condições como insuficiência renal e diabetes, exigindo manuseio rigoroso em ambientes hospitalares.
A elevação do potássio costuma estar associada a condições clínicas específicas, como insuficiência renal, distúrbios hormonais, algumas situações relacionadas ao diabetes ou uso inadequado de suplementação. Por isso, trata-se de uma substância cujo manuseio clínico exige extremo cuidado e controle rigoroso em ambiente hospitalar.
Posicionamento do hospital e implicações
O Hospital Anchieta classificou o episódio como ato isolado e criminoso, reforçando seu compromisso com a segurança. A instituição colabora com as autoridades para esclarecer os fatos.
Trata-se de um ato criminoso, isolado e individual, praticado por pessoas que agiram à margem da ética, da medicina e da lei, dentro de uma unidade de saúde.
Esse caso destaca a necessidade de protocolos mais rígidos em hospitais para prevenir abusos, impactando a confiança no sistema de saúde brasileiro. As investigações continuam, com foco em evitar recorrências de hipercalemia induzida por erro ou má-fé.