A partir desta segunda-feira, Belém assume o papel de capital temporária do Brasil e epicentro global das negociações climáticas durante a COP30, a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Realizada pela primeira vez na Amazônia, o bioma de maior biodiversidade do planeta e regulador essencial do clima global, o evento reúne delegações de 194 países e da União Europeia, com mais de 50 mil visitantes esperados, incluindo negociadores, cientistas e representantes da sociedade civil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como anfitrião, destacou a urgência de ações concretas para limitar o aquecimento a 1,5°C, enfatizando a transição acelerada dos combustíveis fósseis e a necessidade de financiamento para adaptação e energia limpa. “A COP30 é a COP da verdade”, afirmou Lula, inspirando um consenso internacional para um roteiro prático de transição, que aborde prazos, esforços e recursos, como analisou Márcio Astrini, do Observatório do Clima. Apesar dos desafios, como o atraso na atualização das Contribuições Nacionalmente Determinadas por países como a Índia e o repique nas emissões globais, a conferência busca recolocar o clima no centro das prioridades políticas, promovendo união e cooperação para um futuro sustentável.
Os temas centrais das negociações incluem adaptação climática, com indicadores para medir progressos contra eventos extremos; transição justa, com diretrizes para apoiar trabalhadores afetados pela economia de baixo carbono; e a implementação do Balanço Global do Acordo de Paris, que orienta ações contra o aquecimento. O financiamento surge como pilar fundamental, com o “Mapa do Caminho de Baku a Belém” propondo US$ 1,3 trilhão anuais e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, já com US$ 5,5 bilhões prometidos, destinando pelo menos 20% a comunidades indígenas. Essa agenda inspira otimismo, especialmente com a exuberante participação da sociedade civil na Zona Verde e na Cúpula dos Povos, que mobilizará indígenas, quilombolas e movimentos sociais de 62 países. Como ressaltou Dinamam Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, é hora de efetivar acordos e incluir vozes territoriais nas negociações, transformando Belém em um ciclo de ação coletiva que conecta o clima ao dia a dia, do preço do café à energia acessível, fomentando uma mobilização histórica que une setores diversos pela preservação do planeta.
Essa COP30 não apenas debate, mas inspira uma guinada global, com a maior presença indígena já vista, mais de 3 mil participantes, e eventos como a marcha dos povos, reforçando que a luta climática é uma causa compartilhada, capaz de gerar prosperidade e equidade para todos.