Em Caldas Novas, Goiás, uma cidade em ascensão turística com cerca de 104 mil leitos de hospedagem, o Riviera Park Hotel, inaugurado em 2013 como o maior de águas termais do Brasil, tornou-se palco de uma inspiradora mobilização coletiva. Proprietários de apartamentos, que inicialmente podiam optar por alugar seus imóveis de forma independente ou pelo sistema pool gerenciado pela WAM Riviera Administração Hoteleira, enfrentam agora uma imposição que os obriga a centralizar as locações pela empresa. Essa mudança, implementada em 2023, contraria cláusulas da convenção do condomínio e promessas de venda, como “Você pode alugar pelo tempo que quiser” e “Você pode colocar no pool”. Moradores como Nilce* expressam revolta, destacando a perda de autonomia e a obrigatoriedade de compartilhar lucros, o que transformou investimentos pessoais em fontes de renda controladas. A diferença entre proprietários independentes, que arcam com custos próprios e personalizam seus espaços, e poolistas, gerenciados pela WAM sem participação diária, evidencia a tensão, mas também a resiliência daqueles que buscam restaurar seus direitos.
Diante da notificação proibitiva, condôminos ingressaram na Justiça, obtendo liminares para alugar por conta própria, com 754 ações resultando em condenação de R$ 577.753,49 à WAM, que acumula dívida de R$ 5.231.344,01 com a União. A união se fortaleceu com a eleição de um Conselho Consultivo e Fiscal, liderado por figuras como Cristiano*, que relata brigas constantes e identificação de dívidas e sucateamento do condomínio pela administradora. A Assembleia Geral Extraordinária marcada para 17 de novembro visa destituir a WAM, amparada pelo Código Civil (artigos 1.350 a 1.355), e conta com apoio de independentes e poolistas, incluindo expulsões recentes de 60 participantes por votarem contra reajustes, vistas como manobras para inviabilizar a votação. Poolistas como Israel Delamarca e Rilda* denunciam falta de pagamentos, omissão de auditorias e manutenção precária, com piscinas sujas e lixo acumulado, o que desvaloriza o patrimônio.
Essa batalha não é apenas por locações, mas por transparência e boa governança, inspirando proprietários a se organizarem contra abusos. Com relatos de exploração e irregularidades, como cobranças indevidas de condomínio após expulsões, a mobilização em Caldas Novas serve de exemplo de como a união cívica pode desafiar estruturas opressoras, fomentando um futuro onde a justiça e o respeito aos direitos prevalecem, motivando comunidades a defenderem sua autonomia com determinação e esperança.